TSE discutirá em plenário decisão de Mendonça que mandou governo informar gastos com publicidade

Sessão plenária do Tribunal Superior Eleitoral desta terça-feira (30). Reila Silva/TSE A decisão do ministro André Mendonça que determinou que o governo L...

TSE discutirá em plenário decisão de Mendonça que mandou governo informar gastos com publicidade
TSE discutirá em plenário decisão de Mendonça que mandou governo informar gastos com publicidade (Foto: Reprodução)

Sessão plenária do Tribunal Superior Eleitoral desta terça-feira (30). Reila Silva/TSE A decisão do ministro André Mendonça que determinou que o governo Lula (PT) informe seus gastos com publicidade entre 2023 e 2026 será analisada pelo plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A liminar seria submetida à votação no plenário virtual, mas o julgamento foi interrompido nesta sexta-feira (14) após um pedido de destaque do ministro Floriano de Azevedo. O mecanismo retira o caso do ambiente eletrônico e o leva para julgamento em sessão presencial. Com isso, os votos já registrados pelos demais ministros foram anulados, e a análise começará do zero. Ainda não há uma data estabelecida para a discussão do caso. É responsabilidade do presidente do tribunal, ministro Kassio Nunes Marques, definir as pautas das sessões. Entenda o caso A decisão a ser discutida pelo TSE foi publicada em 4 de agosto. No despacho, o ministro deu 10 dias para o governo apresentar em formato “digital aberto, pesquisável e auditável” a relação de valores gastos em publicidade dos últimos 3 anos de governo. Os dados devem incluir informações como a data do empenho, contratos administrativos, destinatário favorecido, o objeto da campanha e a classificação da despesa como “publicidade institucional, publicidade de utilidade pública, publicidade legal, patrocínio ou outra modalidade”. A ação, por sua vez, havia sido protocolada pelo Partido Liberal (PL) contra o presidente Lula e o seu ministro de Estado da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, por suposto excesso nos gastos com publicidade institucional do governo federal no primeiro semestre de 2026. A conduta é vedada pela Lei de Eleições. 🔎 O art. 73, VII, da Lei nº 9.504/1997 veda aos agentes públicos: “empenhar, no primeiro semestre do ano de eleição, despesas com publicidade dos órgãos públicos federais, estaduais ou municipais, ou das respectivas entidades da administração indireta, que excedam a 6 (seis) vezes a média mensal dos valores empenhados e não cancelados nos 3 (três) últimos anos que antecedem o pleito”. Agora no g1 Para embasar as alegações, os advogados do PL citaram dois levantamentos. O primeiro, de acordo com a equipe jurídica, foi elaborado a partir de registros atribuídos à Secretaria de Comunicação Social (Secom), e mostra que, até 2025, foram utilizados R$ 814 milhões de 2023 a 2025, com média mensal de R$ 22 milhões. O limite é o valor da média multiplicado por 6, ou R$ 135 milhões. Porém, até 15 de junho deste ano, o governo teria destinado R$ 178 milhões à publicidade, valor aproximadamente R$ 42 milhões ou 31% acima do teto. O segundo relatório foi elaborado a partir do sistema Siga Brasil, plataforma criada pelo Senado Federal que integra bases de dados do orçamento público. Conforme a defesa, a plataforma mostra que os valores gastos em publicidade entre 2023 e 2025 somaram R$ 3,7 bilhões ajustados pela inflação, o que levaria a uma média mensal de R$ 103 mil e teto semestral de R$ 618 mil. Os advogados afirmam que foram identificados que, até 18 de junho deste ano, os gastos teriam sido de R$ 785 milhões, valor 27,1% ou R$ 167 milhões acima do limite legal. O PL, então, solicitou que o governo apresentasse todos os empenhos de publicidade institucional do primeiro semestre de 2026 em 48 horas. Também solicitou a suspensão de novos empenhos de publicidade institucional até comprovar que ainda havia margem dentro do teto legal. Mendonça atendeu parcialmente o pedido. Estendeu o prazo para 10 dias, mas não interrompeu o fluxo de gastos solicitado pelo PL porque analisou o caso depois do fim do primeiro semestre deste ano. O relator e vice-presidente do TSE apontou que seria necessário um levantamento oficial e definitivo. Afirmou que a documentação apresentada pelos advogados “revela elementos que justificam o aprofundamento da apuração”, mas não permite “afirmar com segurança” que o limite legal foi ultrapassado.